SR. MOZARILDO CAVALCANTI
(Bloco/PTB – RR. Pronuncia o seguinte discurso.
Eu
quero cumprimentar o Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, Irmão
Marcos José da Silva, e dizer da felicidade de vê-lo aqui já tranquilo
depois de ter passado um pequeno
susto; eu quero cumprimentar o Grão-Mestre do Grande Oriente do
Distrito Federal, que é o nosso anfitrião, o Irmão Lucas Francisco
Galdeano; o Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Distrito Federal,
Irmão Juvenal Batista Amaral, que, neste momento, representa
também a Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil, que congrega
todas as grandes Lojas deste País; cumprimentar também o Irmão José
Simioni, Presidente da Confederação Maçônica do Brasil (Comab);
cumprimentar o jovem Mestre Conselheiro Nacional do Supremo
Conselho da Ordem DeMolay, agradecendo pela comenda hoje me dada, o
sobrinho Mateo Scudeler; cumprimentar também o nosso Irmão Membro da
Grande Loja Unida da Inglaterra John Wade; e quero cumprimentar também a
todo o Corpo Diplomático aqui presente, que já
foi mencionado da Presidência; os Irmãos que são membros dos Poderes
Maçônicos de Justiça, Irmão José de Jesus aqui presente – do Judiciário,
aliás –-, do Legislativo... Eu mesmo tenho a honra de ser membro do
Poder Legislativo da Maçonaria como deputado,
a soberana Assembleia Federal Legislativa; portanto, é uma honra ser
Senador no mundo não maçônico e ser Deputado no mundo maçônico.
Eu
queria começar as minhas palavras pedindo permissão para registrar uma
coincidência muito feliz para mim. Hoje a minha Loja mãe, que tem o nome
de 20 de Agosto, completa 41
anos de existência. Portanto, eu quero mandar aqui um abraço fraterno a
todos os Irmãos da 20 de Agosto no meu Estado de Roraima, e a todos os
Irmãos daquele Oriente. Este registro eu não poderia deixar de fazer, e
informo também que, como parte da comemoração,
está sendo feito um seminário em que vários palestrantes vão ter a
oportunidade de falar aos Irmãos de Roraima.
Mas
eu fico muito feliz de estarmos hoje aqui, pelo 13º ano seguido,
homenageando a Maçonaria brasileira. Eu sempre era questionado, quando
fui venerável da minha Loja por duas
vezes, depois fui Deputado Federal inicialmente, depois houve um
interregno e voltei a ser Deputado Federal também na soberana
Assembleia; havia uma coisa que ouvia desde lá da minha Loja
pequenininha, lá no Norte, que é o seguinte – eu, como médico, ouvia
os colegas médicos perguntarem: “Mas o que é que, de fato, vocês fazem?
Por que vocês se reúnem de maneira tão fechada?” Aí, obviamente, eu
tentava explicar dizendo que nós tínhamos ações sociais, como, por
exemplo, nós tínhamos lá em Roraima uma casa para
idosos, chamada Casa do Vovô, e as nossas cunhadas, que compõem uma
instituição no Grande Oriente do Brasil, que é a Fraternidade Feminina
Cruzeiro do Sul, faziam esse trabalho assim e assim. Mas isso realmente
não dissipava a curiosidade ou a dúvida daqueles
não maçons sobre as nossas atividades. Aliás, curiosidades e dúvidas
que até as nossas esposas têm. E aí o Grão-Mestre Marcos José disse
muito claramente: “Nós precisamos ser muito mais comunicativos, nós
temos que ter uma interlocução com a sociedade de maneira
mais forte”.
Foi
por isso que eu convoquei, ou melhor, requeri a primeira sessão de
homenagem, porque aqui é uma forma pública de se falar da nossa Ordem,
porque, na verdade, existem mitos
na sociedade não maçônica, aliás, dois mitos, um verdadeiro e um falso;
aliás, um bom e um ruim, ambos falsos.
O
primeiro mito é o de que nós nos reunimos a portas fechadas para
prestar cultos a satanás. Uma mentira deslavada! Alguns veem assim por
causa de livros que há espalhados em
qualquer livraria, às vezes com alguns símbolos nossos, como, por
exemplo, o caixão. O caixão representa o quê? Um alerta a todos, de que
todos teremos o mesmo fim, isto é, viemos do pó e ao pó voltaremos. E aí
alguns deturpam e interpretam dessa forma, e
vem de muito tempo essa história.
A
segunda crença é a de que a Maçonaria é uma associação de autoajuda em
que as pessoas entram para ter cobertura de tudo, em todos os setores.
Outra inverdade! O verdadeiro
maçom entra para a Maçonaria para servir à Ordem e servir à humanidade,
não para se servir dela, como alguns pensam: “Entrei na Maçonaria,
acabaram meus problemas. Acabaram meus problemas financeiros.” Isso não é
verdadeiro. Nós damos, cada um de nós, a nossa
colaboração para que, de fato, a Ordem cumpra o papel primordial e
histórico, que é o do soerguimento da humanidade, através da luta pela
liberdade, pela igualdade e pela fraternidade. E a história mundial está
cheia desses exemplos, desde a Revolução Francesa,
da Independência dos Estados Unidos e aqui entre nós, no Brasil.
A
Independência do Brasil foi feita de maneira brasileira, muito sábia,
por sinal. Não derramamos uma gota de sangue para que José Bonifácio – é
bom lembrar que José Bonifácio
era Ministro do Imperador –, Gonçalves Ledo e outros convencessem o
Imperador a vir a ser maçom. Assim, elegeram-no Grão Mestre do Grande
Oriente do Brasil, e, como foi dito, se não estou enganado, pelo
Presidente da Comab, no dia 20 de agosto, dentro de uma
Loja Maçônica, acertou-se a Independência do Brasil, que somente
algumas semanas depois foi tornada pública, pelo famoso Grito do
Ipiranga, dado pelo então Grão Mestre Dom Pedro I.
Da
mesma forma, fizemos um trabalho maçônico, fraterno, persistente,
justamente em busca da liberdade e da igualdade ao trabalhar e conseguir
a abolição da escravatura. Muita
gente pensa que o gesto da Abolição da Escravatura foi um ato de
benemerência da Princesa Isabel – e ainda bem que foi uma mulher que
assinou o decreto –, mas, na verdade, foi um trabalho adrede feito pelos
maçons, começando, inclusive, por aqueles que já
estavam na Maçonaria, ao darem liberdade aos seus escravos. E aqueles
que queriam entrar para a Maçonaria só poderiam fazê-lo se libertassem
os seus escravos. E foi por esse trabalho, inclusive, no Parlamento,
onde se destacaram inúmeros maçons negros, que
lutamos e conseguimos a abolição da escravatura.
Depois
a Corte, inicialmente exercida pelo Imperador D. Pedro I, depois pelo
D. Pedro II, mostrou-se, digamos assim, distante da realidade do ideal
que nós buscávamos, de igualdade,
de todos sermos iguais. Então, o exemplo dos Estados Unidos, de uma
República, inspirou os maçons ilustres daquela época, à frente o
Grão-Mestre Marechal Deodoro da Fonseca, que proclamou a República junto
com um grupo de Irmãos.
Muito
bem. Fatos incontestáveis por qualquer historiador, por qualquer
estudioso. Se nós olharmos de lá para cá, nós temos feito bons
trabalhos, é verdade. Há muitas Lojas que
são exemplos de trabalho benfeito, através de manutenção de creches,
manutenção de asilos para idosos. Algumas Lojas ou Orientes até mantêm
hospitais, mantêm fundações para formação profissional de jovens pobres.
Contudo,
como disse o soberano Grão-Mestre, nós temos força para fazer muito
mais. Nós somos uma instituição, e, se somarmos as três, somos uma
instituição que tem o melhor capital
humano, porque nós temos entre nós advogados, médicos, economistas,
professores e também pessoas simples. Isso demonstra exatamente a
possibilidade do capital humano que nós temos.
Ora,
se lá atrás houve esses feitos que eu citei, quando a comunicação era
feita a cavalo – as pessoas tinham que se deslocar a cavalo para levar
uma mensagem de um lugar para
outro –, imaginem agora, em pleno século XXI, com esse capital humano
que nós temos, com a rede física de Lojas por esse Brasil afora! Aliás,
nenhuma outra instituição tem esse capital, e, mais ainda, somos uma
instituição que é uma organização de fato não
governamental, porque nós não vivemos às custas de verbas do governo.
Se nós soubéssemos agir, agir melhor no que tange a fazer de fato um
movimento coordenado nacional, nós poderíamos alcançar vários projetos,
condizentes tanto com a nossa capacidade intelectual,
quanto com a nossa disposição e a nossa rede física.
Imaginem
se todas as Lojas do Brasil, em determinado horário, porque
dificilmente nos reunimos pela manhã e pela tarde, pudessem colocar os
seus prédios, os seus templos à disposição
de escolas.
E
por que nós mesmos não termos um rede de ensino? Por que nós mesmos não
termos, se várias outras instituições têm, como é o caso da Igreja
Luterana, da Igreja Católica, da
Igreja Adventista? Várias outras instituições têm. Capital humano nós
temos. E fazer isso nós conseguiríamos, inclusive em parceria com o
Governo Federal, governos estaduais e municipais.
Outra
coisa importante, para pensarmos em agir externamente, é justamente nos
comunicarmos com a sociedade. O que nós estamos fazendo aqui, hoje,
pelo 13º ano, é dizer para a
sociedade que nós fazemos de fato somente o bem. Nós não temos nada a
esconder de ninguém. Podem perguntar: por que se reúnem fechados? Apenas
por uma tradição, apenas por uma questão que vem lá das eras remotas,
quando nós éramos perseguidos, íamos para a
fogueira da inquisição, como foi o caso do patrono da Ordem, DeMolay.
Nós tínhamos que nos esconder mesmo. E para nos identificarmos, tínhamos
sinais, toques e palavras. Agora, a doutrina que pregamos e praticamos
está disponível em todas as livrarias, escritas
por Irmãos maçons, por pessoas historiadoras não maçônicas, que mostram
claramente ao mundo todo o que fizemos e o que somos capazes de fazer.
Então,
neste particular, defendo que precisamos ter urgentemente uma rádio e
uma televisão de âmbito nacional. Impossível? Não. Vou repetir, a Igreja
Católica deve ter umas cinco,
Rede Vida e tantas outras, Canção Nova, que estão aí funcionando.
Rádios, nós poderíamos ter em cada Estado, uma rádio comunitária em cada Estado.
Rede de ensino, já falei.
Importante
também: para fazermos estas atitudes externas, temos que nos fortalecer
internamente. Ninguém pode fazer um trabalho – hercúleo, aliás – se não
se fortalecer internamente.
E
qual seria esse fortalecimento interno? Que, por exemplo, nós
tivéssemos... Os Irmãos que entram para a ordem têm que tirar do bolso
para contribuir para tudo o que é feito
pela ordem – o que é bom, é bonito, é um ato de voluntariado,
realmente. Mas que nós tivéssemos planos de saúde e plano de previdência
para os Irmãos e para a família, de forma que pudesse dar a eles, na
maturidade, ou numa invalidez ou num infortúnio, a tranquilidade
de ter isso.
Da
mesma forma, se nós fizéssemos uma rede nacional de ensino,
implantássemos uma televisão, uma rádio, nós teríamos condições,
inclusive, de gerar empregos para os próprios
Irmãos, e também de contratar pessoas especializadas naquela questão.
O
que eu acho muito importante é que nós, além de celebrarmos – e devemos
continuar celebrando – o nosso passado, possamos nos sintonizar com o
século XXI, um século da comunicação
global, um século em que nós precisamos de fato ser – palavra que se
usa muito – transparentes. Porque nós não temos realmente o que
esconder.
Ah,
mas ainda existem sinais, toques e palavras. Sim, existem também por
uma tradição. Mas existem também por necessidade, porque se eu, por
exemplo, que não sei nenhum ideograma
em japonês, chegar ao Japão e fizer um sinal, der um toque ou disser
uma palavra eu vou ser identificado e, portanto, ter condições de
interagir com os Irmãos daquele país, ou de qualquer outro.
Mas
o importante para mim, neste momento, Sr. Grão-Mestre, Sr. Presidente
da CMSB, Sr. Presidente da Comab, Irmãos presentes, Irmão Lucas, que
representa o Grande Oriente do
Distrito Federal, Irmãos, cunhadas aqui presentes – chamamos cunhadas
as esposas dos nossos Irmãos –, eu quero dizer a todos, maçons e não
maçons que nos assistem, que todo ano, depois desta sessão, eu recebo
milhares de
e-mails, mas a grande maioria deles de não maçons que fazem
perguntas, entre elas: como fazer para entrar para a Maçonaria e,
principalmente, dizendo que ficam satisfeitos de ter ouvido, como foi
ouvido hoje aqui, dos representantes das diversas potências,
da ordem DeMolay, de três Senadores, realmente falando da realidade do
que é a Maçonaria e do que poderá ser ainda a Maçonaria. Temos que estar
cultuando, não só o nosso passado histórico, como as nossas tradições,
mas olhar para frente, como disse também,
acho que foi o Senador Alvaro, não podemos ficar assistindo a tanto ato
de corrupção. E digo a vocês que eu, às vezes, como disse Rui Barbosa,
que orna este plenário, em 1914, “de tanto ver triunfar as nulidades; de
tanto ver prosperar” o poder nas mãos dos
maus, de tantos ver agigantar-se a injustiça, o homem honesto chega “a
ter vergonha de ser honesto”.
Isso,
portanto, não é uma coisa desse momento atual. Em 1914 ele já dizia
isso porque ele via que, na verdade, a sociedade brasileira estava,
digamos assim, contaminada pelo
vírus da corrupção, estava adoecida, no mínimo, pelo descaso dos bons.
Aliás, para citar outra frase que gosto muito, do grande reverendo,
pastor Martin Luther King: o que mais deve preocupar “não é o grito”, ou
a ousadia, “dos maus, mas sim o silêncio dos
bons”.
Quando
nós que dizemos que somos, e somos, homens livres e de bons costumes,
não agimos, não falamos, não interagimos, estamos contribuindo de uma
forma indireta ou, talvez,
até direta, para que, de fato, esse estado de coisas que está aí
continue. Mas eu, até pela minha formação de médico e de maçom, não
acredito em coisas intransponíveis. Eu nunca aceitei dizer assim: “Esse
paciente está desenganado”, como não vou aceitar que
se diga “o Brasil está desenganado”.
Ouço
muito de pessoas intimas minhas assim: “Não tem jeito, não adianta,
você fica lá, quem manda lá é a maioria que é corrupta.” Não é a maioria
que é corrupta. É uma minoria
atuante que é corrupta, e os bons ficam calados. Então, temos que
levantar a voz da Maçonaria e de fato interagir, porque não adianta ir
uma, duas, até todos os dias da semana para a Loja, tratarmos de
assuntos importantes lá dentro e, depois, não levar para
a sociedade.
Fiquei
muito feliz de ouvir o querido Sobrinho conselheiro DeMolay, porque
realmente nós, que já estamos, digamos assim, caminhando – e sempre digo
que já sou sexagenário –,
temos que olhar é para trás mesmo, quer dizer, para os mais jovens,
porque não é deles só o futuro não; é deles o presente. O presente que a
Nação está vivendo, eles estão sofrendo. E justamente cabe a nós, que
já estamos caminhando para outro campo, darmos
a eles as condições de melhorarem, de interagirem, de mostrarem que é
possível, sim, mudar este País.
Tenho
uma fé inquebrantável no Brasil. Somos diferentes de quase todos os
países que vocês olharem como modelos. Somos um país miscigenado; somos
um país tolerante; somos um
país alegre, até mesmo quando existem, digamos, dificuldades; mas,
sobretudo, somos um povo capaz, como fomos no passado, de fazer mudanças
sem guerras, de fazer com que a sociedade se mobilize.
Só
para dar um exemplo, que não é o caso, aqui, do Distrito Federal: em
todos os Estados brasileiros, está havendo, este ano, eleições para
vereador e para prefeito de quase
6 mil Municípios. E aí eu ouço alguns maçons dizerem: “Não, política
não é com a Maçonaria.” Como não é? Como é que não é? Não é discutirmos
política partidária; agora, discutir uma política nacional, uma política
regional, é com a Maçonaria sim. Nós devíamos
não só nos candidatar, mas, se não pudermos nos candidatar, buscar,
entre os candidatos, aquele que tem o perfil do maçom. Porque há muita
gente que não é maçom e que tem a conduta de maçom: são pessoas sérias,
bons pais de família, trabalhadores e que se
dedicam a fazer o bem, os quais, aliás, chamamos entre nós de maçons
sem avental.
Portanto,
é muito importante que tenhamos em mente, hoje, dia 20 de agosto,
quando se comemora o Dia do Maçom, que nós, maçons, temos um dever muito
grande para com o momento
atual. Vamos continuar falando do que fizemos de positivo. Vamos
continuar falando do que estamos fazendo de positivo, mas vamos também
lutar para que façamos coisas mais proativas, no momento, para termos um
futuro muito mais forte daqui a algum tempo.
Eu escrevi até um pronunciamento aqui, mas me permiti falar de improviso do fundo coração o que penso.
Quero
pedir ao Presidente da sessão que autorize a transcrição, na integra,
do meu pronunciamento, como também aqui a relação de todos os
Grão-Mestres do Grande Oriente do Brasil,
desde o primeiro deles, José Bonifácio, que foi Ministro do Imperador;
depois D. Pedro I, passando por Marechal Deodoro, chegando à atualidade,
ao Irmão Marcos José da Silva.
Portanto,
é muito importante que essa história seja colocada, seja dita, porque
eu sei, até pela experiência de ter sido Venerável, que é lá na base que
a gente aprende muito
a Maçonaria.
Muitas
vezes a Maçonaria, ao invés de unir a família... E é bom que se diga
que não existe nenhuma outra instituição que exija do candidato que,
para ingressar na entidade, é
necessário que a esposa concorde. Somos chamados de machistas, no
entanto, no caso, somos feministas, porque, se eu quero entrar para a
Maçonaria, preencho todos os requisitos, quero entrar, mas minha esposa
não quer, eu não entro. Isso por quê? Porque a Maçonaria
privilegia a família, a sociedade e a Pátria, e a base, a célula da
sociedade é a família.
Portanto, quero encerrar agradecendo a presença das ilustres autoridades maçônicas, das autoridades não maçônicas.
Quero
dizer que fico muito feliz. Aliás, aqui no Senado já se comenta que a
única sessão de homenagem a qualquer vulto ou entidade que lota o
plenário e as galerias da tribuna
de honra é a que homenageia a Maçonaria.
Agradeço a todos que vieram aqui.
Tenho uma honra muito grande de ser maçom.
Meu
pai foi maçom das Grandes Lojas, eu sou maçom do Grão Oriente, meu
filho é maçom do Grão Oriente, e o meu neto mais velho é DeMolay.
Portanto, eu tenho a convicção... E nenhum
foi obrigado não. Nem eu fui obrigado, nem meu filho foi obrigado, nem
meu neto foi obrigado.
Aliás,
para encerrar, eu vou contar uma historinha aqui: quando eu estava com
10 anos de idade, fazendo catecismo, a freirinha ensinando sobre céu e
inferno, sobre pecado e sobre
boas ações, mostrou um folder do inferno, aquela clássica imagem
de um caldeirão com as labaredas enormes, algumas pessoas queimando
dentro, e o demônio com o tridente. E a freirinha disse: “Para cá, para o
inferno, vão os pecadores, os maus, aqueles
que não sabem ser bons com os outros e vão os excomungados, como os
maçons.” Isso, para mim, com 10 anos de idade, foi um choque terrível,
porque eu sabia que meu pai era maçom. Imaginem, na minha época de
criança, abordar um pai para perguntar alguma coisa.
Mas eu tive a coragem e perguntei ao meu pai: “Como é, papai, que o
senhor já está excomungado? O senhor vai para o inferno? Saia desse
negócio!”. E ele me disse: “Meu filho, se isso fosse verdade, eu não o
colocaria para fazer a primeira comunhão. Mas não
posso lhe dizer agora.”
Aí,
saí lá de Roraima com 15 anos de idade, para estudar fora, porque não
tinha sequer o segundo grau ou ensino médio naquela época, e virei o
maior “goteira”, quer dizer, o
maior curioso sobre Maçonaria da face da Terra, porque, por onde eu
passava, fosse numa livraria, fosse num sebo que tivesse uma publicação
sobre Maçonaria, eu comprava e lia.
Formei-me
médico, voltei para Roraima, e os companheiros do meu pai foram me
chamar para entrar para a Ordem, porque eu era Lawton, e eu disse, já
aos 24 anos de idade: “Ainda
não estou plenamente convicto para dar esse passo.” Esperei 4 anos.
Quando entrei, depois da iniciação temos a nossa comemoração, e quando
cheguei em casa, minha mulher estava acordada, mais ou menos à 1h, 2h da
madrugada, e, muito preocupada, perguntou: “E
aí?”. Digo: “Estou arrependido.” E ela disse: “Era isso que eu temia,
porque meu pai é maçom, meu avô é maçom, e nenhum dos dois mais
frequenta a Maçonaria.” Só que nem eu sabia, naquele momento, que eles
já eram remidos, não precisavam mais frequentar. E
eu disse: “Não, estou arrependido do tempo que passei relutando para
entrar na Maçonaria.” E ela disse: “Como? Só com uma reunião, você já se
convenceu disso?”. E eu: “Não, por tudo que já li antes e pelo que vi
nessa reunião, realmente perdi tempo.” Por isso
mesmo, até hoje, continuo ativo na Maçonaria e pretendo ir assim até o
momento em que transpor o umbral ou for para o Oriente Eterno – aliás,
espero que o Grande Arquiteto do Universo não tenha pressa em que eu vá
para lá, porque ainda quero passar muito tempo
aqui, ajudando os Irmãos, participando com os Irmãos desse trabalho
muito bonito, que é justamente trabalhar pelo soerguimento da
humanidade, pelo fortalecimento das famílias e pelo futuro dos jovens
deste País.
Muito obrigado. (Palmas.)